Gastronomia e culinária do Brasil

A gastronomia e culinária do Brasil é deliciosa, colorida, diversificada e emocionante. Como o Brasil é um caldeirão de cores e costumes, sua culinária varia de uma região para outra, refletindo as diversas origens do país e seu vasto território, de acordo com o site Brazil Selection Travel.

A comida brasileira foi fortemente influenciada pela colonização portuguesa do século XVI, por escravos trazidos da África e por povos indígenas, além de outros países europeus, sul-americanos e asiáticos que imigraram após a abolição da escravatura.

Gastronomia e culinária do Brasil: chef Letícia Croce
Gastronomia e culinária do Brasil: chef Letícia Croce

Além disso, o Brasil possui uma vasta diversidade de biomas e climas, além da influência de várias culturas como a indígena, a africana e a europeia. Essa riqueza geográfica e cultural transparece na variedade de comidas típicas existentes no país – de A de Acarajé à X de Xerém de Galinha.

Para a publicação Food in Road, com toda a diversidade brasileira, tanto de povos quanto de produtos orgânicos, muitos pratos típicos do Brasil aproveitam ao máximo ingredientes locais. Uma questão interessante é que várias receitas brasileiras, hoje consideradas iguarias, foram criadas para evitar o desperdício de ingredientes ou são adaptações de pratos levados por imigrantes, mas feitos com ingredientes regionais (o que muitas vezes tornaram o prato até melhor que o original!).

Continue lendo para entender a mistura de influências de acordo com a pesquisa da publicação da Brazil Selection Travel.

Conheça também o cardápio do Elis Bar e influências do regionalismo da gastronomia e culinária mineira, bem como a expertise da Chef Letícia Croce na parrilla.

Gastronomia e culinária do Brasil: influência africana

Para produzir cana-de-açúcar, os ricos colonos portugueses primeiro escravizaram os nativos do Brasil. Por falta de mão de obra, tiveram que chamar escravos trazidos em barcos da África para trabalhar nas fazendas. Os africanos trouxeram seus costumes, mas também suas artes culinárias que influenciaram muito a culinária brasileira.  Ainda hoje, a gastronomia brasileira é fortemente influenciada pela da África.

É no Nordeste, mais precisamente na região de Salvador da Bahia, que a influência africana predomina na gastronomia local. Na culinária baiana, são muitos os ingredientes trazidos diretamente da África pelos colonizadores portugueses. É o caso da banana, do inhame e do quiabo, por exemplo. Apesar disso, a maioria dos pratos de influência africana usa também alimentos sul-americanos, como feijão, milho e mandioca.

Encontramos o legado dessas origens até no nome dos pratos brasileiros, na maioria das vezes uma mistura de portugueses e africanos. Vatapá, moqueca e acarajé são alguns dos exemplos.

O famoso dendê, por exemplo, não é uma espécie brasileira. Foi introduzido no Brasil ao mesmo tempo que os escravos africanos no século XVI. O uso do óleo de palma permeou primeiro a culinária brasileira antes de se tornar o óleo mais consumido no mundo, adotado massivamente pela indústria por seu baixo custo de produção e sua alta qualidade de conservação. É também ingrediente de um prato simbólico da culinária baiana, a moqueca de peixe com camarão, um delicioso ensopado de peixe e camarão com leite de coco.

Gastronomia e culinária do Brasil: influência indígena

O estado do Pará no coração da Amazônia não foi muito exposto às influências da colonização, e por isso encontramos a gastronomia desta região diferente do resto do Brasil. Milhares de espécies de frutas e plantas da região permitem o desenvolvimento de pratos saborosos e perfumados.

Os pratos são tradicionais e baseados quase exclusivamente em receitas indígenas. A culinária amazônica é composta por ingredientes locais que os chefs de Belém estão trabalhando para revelar ao mundo.

A grande floresta tropical da Amazônia que cobre 5.500.000 quilômetros quadrados, abriga muitos tesouros. A flora é repleta de milhares de espécies de frutas, ervas e verduras que o paraense conhece bem e cozinha todos os dias.

O iguarapé, serpenteando o rio Amazonas, também abriga muitas espécies de peixes suculentos que fazem parte da alimentação diária dos habitantes da Amazônia.

O mercado de Belém, a capital paraense, possui mais de 1.300 barracas a céu aberto, repletas de produtos indígenas. As bancas de peixe, que vendem peixe fresco de todos os tipos, completam as opções de iguarias, ao lado dos vendedores de tacaca, a tradicional sopa de camarão.

A base da gastronomia amazônica é a mandioca, que é consumida da raiz à folha. A mandioca é extraída de um extrato chamado Tucupi, um condimento suculento que embeleza muitos pratos locais.

O jambu é outro ingrediente típico dos pratos amazônicos. Esta planta semelhante a espinafre anestesia a língua em segundos – uma experiência interessante para descobrir.

Entre os principais pratos da gastronomia paranaense, está o Pato no Tucupi, pato cozido no famoso molho de mandioca e guarnecido com folha de jambu, farinha d’água, farinha de mandioca local e pimentão amarelo. Uma verdadeira concentração de sabores autênticos indígenas do Brasil!

Gastronomia e culinária do Brasil: influência europeia

Os colonizadores portugueses ao chegarem ao Brasil influenciaram a gastronomia e culinária do Brasil adaptando seus próprios pratos com ingredientes indígenas. A partir dessa época, a comida brasileira fica marcada. Entre os pratos emblemáticos do Brasil, a feijoada é uma ilustração perfeita da influência europeia, uma relíquia da colonização.

Consumida em todo o país por todos, independentemente da classe social, a feijoada é o prato nacional mais conhecido tipicamente. No entanto, mesmo quando se trata de deste prato, a influência europeia é clara, pois é uma adaptação da variante portuguesa do cassoulet, mas feito com ingredientes locais. O feijão é um alimento básico da culinária brasileira, assim como o arroz e a farinha de mandioca, servidos em todas as refeições.

Diferentes receitas de feijoada são encontradas dependendo das regiões. O mais conhecido é certamente o de São Paulo, composto por um espesso puré de feijão preto enfeitado com carne de porco, e acompanhado por folhas de couve cortadas, farinha de mandioca e laranjas às rodelas.

Os outros ingredientes mais populares vindos da Europa são: o pão, indispensável aos lanches e café da manhã, o arroz que está em todas as mesas ao almoço, as carnes (bovina, frango, porco e borrego) e as frutas ou legumes que são normalmente encontrados em mesas europeias.

A culinária de rua é outra particularidade brasileira. As calçadas das grandes cidades estão cheias de vendedores ambulantes que oferecem rosquinhas, batatas fritas, sanduíches e todo tipo de comida. Muitas dessas receitas vêm de tradições culinárias ocidentais como hambúrgueres, cachorros-quentes e empanadas, pequenas quiches com carne e legumes são muito populares em todo o Brasil.

Esta cozinha em movimento é particularmente popular entre os brasileiros por seu caráter barato e espontâneo. Esta prática nasceu na Europa e mais precisamente entre os romanos que partilhavam o uso de fogões numa altura em que as casas não tinham cozinhas individuais para preparar as refeições.

Essa prática nascida da influência europeia, hoje típica dos bairros populares de todo o país, na verdade também está ligada à abolição da escravatura no Brasil. Após a abolição, a pobreza atingiu a população negra na forma de escassez de trabalho e falta de salários decentes. Muitas vezes, as mulheres desempregadas começaram a vender alimentos nas ruas de acordo com esse modelo histórico de negócios para ganhar a vida.

O churrasco brasileiro é outro destaque da gastronomia. Em todo o mundo, sabe-se se o Brasil ama as carnes, de todos os tipos, assadas na brasa, sendo a picanha o corte mais requisitado.

Álcool e bebidas alcoólicas foram trazidos por colonos portugueses. Na maioria das vezes, eles levam o nome da língua dos colonos. É o caso da Caipirinha, literalmente “rústica” em português, um coquetel brasileiro de cachaça e licor de Vesou (caldo de cana), ao qual são adicionados açúcar de cana e limão.

 

De Norte a Sul: 15 pratos típicos do Brasil

 

A clássica dupla “Arroz e Feijão” e produtos derivados da mandioca contemplam grande parte da gastronomia e culinária brasileira, mas a comida tradicional brasileira vai muito além.

Confira alguns exemplos nessa lista que preparamos com os principais pratos típicos de cada região do Brasil, de acordo com a Food in Road. Estão servidos?

(Depois nos conte qual deles devemos incluir em nosso cardápio).

Feijoada

Quarta e Sábado são dias consagrados de Feijoada para os brasileiros! Sua origem ainda é muito discutida, porém supõe-se que o prato seja uma adaptação do Cozido Português, já que esse tipo de receita era bem comum na Europa (como o Puchero na Espanha e o Cassoulet na França). A versão brasileira é feita com feijão preto, diversos cortes de carnes suínas e bovinas, cebola e alho, sendo “religiosamente” acompanhada por arroz, couve refogada, farofa, torresmo, laranja e vinagrete.

Moqueca

A moqueca é um dos pratos mais conhecidos no Brasil, sua origem ainda é motivo de muita disputa entre baianos e capixabas. As receitas mais comuns utilizam peixes e crustáceos, como camarão, siri e lagosta e tradicionalmente são feitas em panelas de barro.

A moqueca baiana é feita com pimentão, leite de coco e dendê, enquanto a moqueca capixaba utiliza óleo de urucum (que dá a cor avermelhada) ao invés de dendê, além de ser menos apimentada.

Acarajé

Um programa obrigatório para quem vai para Salvador é comer Acarajé. O prato tem origem africana, a palavra Acarajé se origina do idioma iorubá: Àkàrà significa bola de fogo e Je significa comer. Trata-se de um bolinho feito com feijão fradinho, frito no azeite de dendê e recheado com camarão, vatapá (feito com camarão seco, leite de coco, amendoim e azeite de dendê), caruru (cozido de quiabo que também leva camarão) e molho de pimenta. A iguaria é tipicamente vendida pelas baianas do acarajé, vestidas com roupas tradicionais.

Curiosidade: O Ofício das Baianas de Acarajé foi reconhecido como Patrimônio Nacional e inscrito no Livro dos Saberes em 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Pato no Tucupi

O Pato no Tucupi é um prato típico do Pará e leva ingredientes regionais como o tucupi (caldo amarelo extraído da raiz da mandioca brava, técnica da sabedoria indígena) e a folha de jambu, que causa uma leve dormência na boca quando consumida. Uma tradição paraense é comer o Pato no Tucupi no dia do Círio de Nazaré, festa religiosa que ocorre em Belém no mês de outubro.

Tacacá

O Tacacá é um prato tradicional da região amazônica e é uma famosa comida de rua nos estados do Pará e Amazonas. A iguaria também é feita com tucupi e jambu, com adição de camarões secos, chicória, goma de tapioca (em tupi guarani Tacacá significa goma), além de vários temperos como pimenta de cheiro, alho e cheiro verde. Mesmo nos dias de calor o caldo encorpado é consumido bem quente.

Baião de Dois

Originado no Ceará, um dos pratos nordestinos mais famosos no Brasil é o Baião de Dois, uma combinação imbatível de arroz com feijão, que pode ser o verde, o fradinho ou o de corda. Na receita, o arroz é preparado no caldo de feijão já cozido, sendo uma ótima forma de utilizar sobras de feijão. Os ingredientes podem variar conforme a região, sendo os mais comuns toucinho, carne seca, queijo coalho, coentro e cebolinha.

Arroz com Pequi

O Arroz com Pequi é um prato tradicional da culinária goiana, onde o ingrediente principal é o Pequi, um fruto com polpa de cor amarelada e bem aromático nativo do cerrado. Nessa receita, o fruto pode ser utilizado em lascas ou inteiro – deve-se tomar cuidado com os espinhos presentes em seu caroço (em tupi guarani Pequi significa pele espinhosa).

Arroz Carreteiro

O prato foi originado no Rio Grande do Sul e possui esse nome porque a receita era feita por carreteiros que levavam em suas viagens arroz, charque (parecido com a carne de sol, porém com maior teor de sal), cebola, sal e claro, a panela de ferro. Atualmente o carreteiro também pode ser feito com carne moída e sobras de churrasco, sendo uma ótima forma de evitar desperdício.

Os pratos com arroz não param por aqui! Confira nossa lista com os pratos de arroz mais famosos mundo.

Feijão Tropeiro

Assim como o arroz carreteiro, o Feijão Tropeiro também foi um prato de “nômades”, já que era consumido pelos condutores de tropas de cavalos ou mulas durante os séculos XVIII e XX, chamados de Tropeiros. Os principais ingredientes da receita de Feijão de Tropeiro são feijão, carne seca, toucinho, farinha de mandioca ou milho e sal, todos fáceis de serem levados pelos viajantes durante suas longas jornadas. O Feijão Tropeiro é muito popular nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Paçoca de Carne Seca

A Paçoca de Carne Seca possui influência indígena que costumavam fazer paçoca socando farinha de mandioca em um pilão (em tupi guarani a palavra significa “esmigalhar”). Os tropeiros também ajudaram a difundir o consumo da paçoca, afinal, o preparo não estragava durante as longas viagens. Os ingredientes básicos são farinha de mandioca e carne seca, além de ingredientes adicionais que variam conforme a região (ex: coentro e manteiga de garrafa no nordeste; pinhão na região sul).

Barreado

O Barreado é um prato tradicional do litoral paranaense (Morretes, Antonina e Paranaguá) feito com carne bovina, bacon, cebola, alho e vários temperos como louro, cheiro verde, cominho e pimenta do reino. O nome vem da expressão “barrear a panela” que significa vedar a panela de barro com farinha de mandioca para impedir a saída de vapor pela tampa. A carne é cozida por várias horas em fogo baixo, o que a torna extremamente macia e com um caldo bem encorpado. O barreado é servido com arroz, farinha de mandioca e banana (frita ou crua).

Galinhada

A galinhada, comida típica dos estados de Minas Gerais e Goiás, é uma herança da época dos bandeirantes no século XVII. Esse prato “raiz” e confortante (até utilizado para combater ressaca) consiste basicamente em arroz e frango. Na versão mineira utiliza-se pedaços de frango, pimentão e cheiro verde, enquanto a versão goiana é feita com cortes de frango (ex: coxa e sobrecoxa), pequi e guariroba, um tipo de palmito.

Frango ao molho pardo

Uma das comidas mais famosas da gastronomia mineira é o Frango ao molho pardo, prato famoso da culinária portuguesa que foi adaptado no Brasil pelos colonizadores (em Portugal chama-se Galinha à Cabidela). Na iguaria o frango é refogado e posteriormente coberto com o molho pardo, feito com sangue do frango (como atualmente é difícil obter sangue uma opção é substituí-lo por vinho tinto), vinagre , tomate e pimentão.

Virado à Paulista

O Virado à Paulista é tradicionalmente servido nas segundas-feiras e declarado patrimônio imaterial no estado de São Paulo. A relevância do prato vem desde o século XVII, servindo de alimentação para os bandeirantes durante suas expedições. A receita  era uma combinação de feijão, carne seca, toucinho e farinha de milho, sendo atualmente acompanhado por arroz, bisteca de porco, couve, banana frita e ovo frito. O Virado à Paulista é parecido com o Tutu mineiro, porém o tutu é feito com feijão moído enquanto o Virado é feito com grãos inteiros.

Camarão na Moranga

Responda rápido, diga uma comida de festa? Certamente um dos pratos mais lembrados será o Camarão na Moranga. O prato foi inventado em Ubatuba, cidade no litoral de São Paulo, e consiste num molho feito com camarões, creme de leite, vários temperos e requeijão, sendo que algumas variações da receita levam até vinho branco. O molho é servido dentro de uma moranga (sem as sementes) assada ou cozida.

 

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